Você sabe quem mais produz abacaxi no Brasil?
Enquanto o Sudeste concentra as manchetes do agronegócio nacional, a Paraíba, discretamente, retomou em 2024 o posto de maior produtora de abacaxi do Brasil, com 300,9 milhões de frutos colhidos — à frente do Pará (290,4 milhões), Minas Gerais (143,7 milhões) e Rio de Janeiro (135,3 milhões), segundo a Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE.
Essa produção tem endereço certo: cinco municípios da Zona da Mata e do Litoral Norte paraibano concentram a liderança — Pedras de Fogo (68,4 milhões de frutos), Itapororoca (60 milhões), Araçagi (48 milhões), Santa Rita (31,5 milhões) e Lagoa de Dentro (12 milhões). Juntos, formam um cinturão produtivo que poucos nordestinos fora da Paraíba conseguiriam apontar no mapa.
O valor da produção saltou 42,4% entre 2023 e 2024, chegando a R$ 671,8 milhões — e o abacaxi já responde por 22,2% de todo o valor agrícola do estado, atrás só da cana-de-açúcar (40,2%). É a segunda lavoura mais importante da economia paraibana, cultivada majoritariamente pela variedade Pérola, valorizada pela doçura equilibrada com acidez.
O produto não para na fruta in natura: produtores locais já vêm testando aproveitamento da folha do abacaxi como fibra têxtil, numa parceria com o Senai e o Banco do Nordeste, buscando agregar valor além da venda tradicional para o mercado consumidor do Sudeste — principal destino da produção. O desafio, como em toda cadeia agrícola nordestina, é logístico: rodovia, armazenamento e crédito seguem sendo o gargalo que separa um município produtor de um polo agroindustrial de verdade. Mas o dado está posto: quando se fala em abacaxi no Brasil, o nome que lidera o ranking é paraibano