Seca ameaça produção de leite em Pernambuco

Seca ameaça produção de leite em Pernambuco

A situação da seca em Pernambuco é crítica, impulsionada pela intensificação de um forte fenômeno El Niño combinado às mudanças climáticas, gerando severos prejuízos e forte elevação nos custos da bacia leiteira do estado. A falta de água está afetando duramente o Agreste e o Sertão pernambucanos, colocando em risco a subsistência de produtores e o bem-estar de um rebanho que ultrapassa 2,6 milhões de cabeças.

Colapso em 37% dos reservatórios e emergência decretada 

A crise hídrica já está causando colapso em 29 reservatórios, dos 99 monitorados no estado pela APAC (Agência Pernambucana de Águas e Clima). A Barragem de Jucazinho, situada localizada em Surubim — a maior e mais importante do Agreste —, opera com menos de 4% de sua capacidade total. Há 75 municípios pernambucanos em situação de emergência hídrica. Órgãos de monitoramento apontam que microrregiões importantes, como o Vale do Ipanema, registraram uma redução drástica de até 48,5% nos acumulados de chuva em comparação ao período anterior. 

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O Impacto no Gado e na Produção Leiteira

Pernambuco ostenta o título de maior produtor de leite do Nordeste, produzindo cerca de 4 milhões de litros por dia. No entanto, a falta de água e pastagem está sufocando a atividade, resultando em forte queda de produtividade e estresse térmico. 

As vacas leiteiras são animais extremamente sensíveis ao clima. Com o calor extremo e a falta de pasto, o gado entra em estresse térmico e déficit calórico. Para tentar sobreviver à alta temperatura, o organismo do animal reduz drasticamente o consumo de alimentos e prioriza a própria sobrevivência, cortando a energia que seria direcionada para a produção de leite. Produtores relatam reduções imediatas de mais de 20% no volume diário ordenhado. 

Como o pasto natural secou devido à queda brusca de chuvas, o produtor é obrigado a comprar ração e forragem de fora para que o rebanho não morra de fome. Os insumos agrícolas dispararam de preço no estado, afetando, principalmente: 

Silagem de milho: subiu de R$ 300,00 para até R$ 500,00. Bagaço de cana: passou de R$ 300,00 para R$ 400,00. Custos logísticos: fazendeiros de polos como Itaíba, Águas Belas e São Bento do Una precisam pagar fretes caros apenas para transportar água potável para dessedentar os animais. 

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Margem de lucro esmagada: Embora o custo de manutenção de cada vaca tenha disparado, o produtor de leite do semiárido não consegue repassar esse aumento para o preço final. O valor pago pelo litro do leite pelas indústrias de laticínios locais permanece estagnado (em torno de R$ 2,50), esmagando totalmente a margem de lucro e operando no vermelho. 

Outros resultados negativos são apontados pelos produtores, causados pelo estresse resultante da  falta de água e comida, que  afeta diretamente os hormônios das matrizes. Há queda severa na fertilidade, o que significa menos vacas prenhas, interrupção dos ciclos de reprodução futuros e enfraquecimento do sistema imunológico do rebanho, deixando-o suscetível a doenças. 

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Estratégias adotadas pelos criadores: Para mitigar a crise, o setor vem adotando estratégias de sobrevivência: 1) Uso emergencial de telas de sombreamento (sombrites) e fornecimento de água fresca na sombra para reduzir o estresse térmico; 2) Plantio estratégico e antecipado de palmas forrageiras, que retêm mais água; 3) Articulação política (por meio do Sinproleite e da Assembleia Legislativa - ALEPE) cobrando subsídios do Governo ampliação da Operação Carro-Pipa liderada pelo Exército e linhas de crédito especiais junto ao Banco do Nordeste para refinanciar as dívidas rurais acumuladas

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