Quem disse que o jumento só serve como burro de carga?

Quem disse que o jumento
só serve como burro de carga?

A criação de jumentos no Nordeste está muito longe de ser uma atividade pecuária estruturada. Mas há reunião de animais de diferentes estados, com abate para consumo local ou exportação. Existem até decisões judiciais e alertas sobre bem-estar e conservação da carne. 

Na verdade, o jumento ainda é bastante utilizado como  mero burro de carga, mas já está sendo exportado aé para a China.

A cadeia, porém, não se baseia em criação comercial estruturada, segundo especialistas. O modelo predominante é descrito por pesquisadores como extrativista, com a compra ou captura de animais de baixo valor.

Frigoríficos na Bahia: A concentração de frigoríficos já se destaca recebendo jumentos destinados ao abate e à exportação de produtos. Em setembro de 2026, a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí informou que cerca de 3,5 mil jumentos seguiram do estado para frigoríficos baianos. O total corresponde ao período entre janeiro e agosto e quase triplicou o volume registrado

Os animais percorrem longas distâncias em caminhões, incluindo trajetos superiores a 1,1 mil quilômetros. As normas de transporte exigem respeito à lotação e cuidados de alimentação e hidratação durante viagens prolongadas.

A fiscalização do Piauí acompanha o transporte até a divisa estadual, enquanto a inspeção do abate cabe aos órgãos responsáveis nos estabelecimentos de destino. 

Exportação da pele para uso medicinal na China:  O principal interesse econômico da atividade está na pele, usada na produção do ejiao, produto tradicional da medicina chinesa.  A pele é tratada e conservada nos frigoríficos antes de ser enviada ao mercado externo, especialmente para a China.

Polícia da Bahia apura maus-tratos a jumentos abatidos para a China - 27/11/2018 - Mercado - Folha

A carne também é aproveitada e explorada como produto secundário, mas não foram localizados  dados oficiais recentes com volumes e destinos detalhados.

Em audiência na Câmara dos Deputados, foram citados frigoríficos em Amargosa, Simões Filho e Itapetinga e remessas de derivados para diferentes mercados. Os números sobre a população de jumentos são motivo de preocupação entre entidades de proteção animal.

Apesar de haver crescente interesse do mercado chinês pelo produto, a  The Donkey Sanctuary (*) estima que o rebanho brasileiro caiu de 1,3 milhão no fim dos anos 1990 para 78 mil em 2025. A entidade  – que   relaciona a redução ao abate e aponta risco de desaparecimento da espécie no país.

O dado foi apresentado em audiência legislativa e deve ser atribuído à organização, não tratado como contagem oficial atual do IBGE. O instituto deixou de incluir asininos na Pesquisa da Pecuária Municipal a partir de 2013. 

(*) A  The Donkey Sanctuary ( O Sanuário do Burro) trata especificamente da proteção, bem-estar e preservação de jumentos (asnos) e mulas em todo o mundo. Fundada em 1969 no Reino Unido pela Dra. Elisabeth Svendsen, a organização atua em três frentes principais:
1) Santuários e Resgate: Acolhe animais abandonados, maltratados ou que sofrem com problemas de saúde. Eles mantêm fazendas que servem de refúgio definitivo, onde os animais recebem cuidados veterinários avançados e carinho pelo resto de suas vidas.
2) Comunidades e Trabalho: Ajuda comunidades carentes que dependem de jumentos para o transporte de cargas e água. A ONG ensina os proprietários a cuidarem melhor de seus animais (nutrição, cascos, arreios), melhorando a qualidade de vida tanto dos jumentos quanto das famílias humanas.
3) Campanhas Globais e Investigação: Combate ameaças em larga escala à espécie, sendo atualmente a principal voz global contra o comércio internacional de peles de jumento, investigando abates ilegais, rastreando rotas de contrabando e pressionando governos por proibições.  

 (Pesquisa com informações de A TARDE-BA,
 e texto produzidos por IA,   
com revisão da Redação OXENTE!)