A França que vive crise com estudantes nas ruas já andou querendo colonizar o Brasil ocupando terras no Nordeste
Grandes Manifestações e Confrontos: No final de semana de 17 e 18 de outubro de 2026, o país registrou seu maior dia de protestos, com estimativas entre 550 mil e 800 mil participantes em cerca de 110 atos pelo país. Embora a maioria tenha sido pacífica, grupos violentos praticaram depredações, saques e incêndios em prédios públicos e prefeituras (como em Limoges e Marselha), resultando em cerca de 1.800 a 2.400 prisões e mais de 500 policiais feridos.
Posição do Governo: O presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro Sébastien Lecornu condenam os atos de violência e afirmam que os responsáveis serão punidos. A gestão de Macron enfrenta forte desgaste, críticas à legitimidade de suas reformas e acusações de distanciamento popular.
Corrida Presidencial de 2027: O país se aproxima das eleições presidenciais (faltando menos de sete meses) em um cenário extremamente fragmentado.
O cenário político mostra reflete pressão da esquerda (liderada por figuras como Jean-Luc Mélenchon, do La France Insoumise, e o recém-escolhido moderado Raphaël Glucksmann), a forte presença da extrema-direita (com Marine Le Pen e Jordan Bardella enfrentando também imbróglios judiciais e disputas de espaço), e o enfraquecimento das forças tradicionais de centro.
Como começou: Os protestos estudantis na França já duram desde meados de setembro de 2026 e foram iniciados em escolas de ensino médio (liceus) na periferia norte de Paris, especificamente em comunas da região de Créteil e Seine-Saint-Denis (Île-de-France), situadas nos nos subúrbios de baixa renda ao norte de Paris (como Seine-Saint-Denis e Créteil) a partir de 17–18 de setembro de 2026. O movimento espalhou-se rapidamente por centenas de liceus em todo o país (afetando centenas de escolas e levando ao fechamento temporário de dezenas delas), culminando em grandes mobilizações nacionais com adesão de sindicatos, aposentados, agricultores e antigos movimentos como os "coletes amarelos".

Manifestantes usando colete amarelo | Reprodução/X/@TarcisoRenova
Denúncia dos estudantes: Prédios dos liceus (escolas de ensino médio) degradados, sem climatização (calor excessivo nas salas), falta de professores e superlotação nas turmas (muitas com mais de 30 ou 35 alunos), são as causas apontadas pelos estudantes.
Impacto econômico e austeridade: O mal-estar ampliou-se em protesto contra o projeto orçamentário do governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu para 2027, que prevê fortes medidas de austeridade e cortes de gastos públicos para conter a dívida e o déficit do país (situado acima de 5% do PIB), afetando o custo de vida geral.
Video: @MetrópolesTV
Ocupações no Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão
Antes da Independência do Brasil em 1822, as relações do Nordeste brasileiro com a França foram marcadas por disputas territoriais, alianças indígenas, pirataria e forte influência intelectual. Como a Coroa francesa não reconhecia o Tratado de Tordesilhas, a costa nordestina tornou-se um alvo constante desde os primeiros anos da colonização.

Esquadra corsária de René Duguay-Trouin na baía de Guanabara, em Setembro de 1711, durante a Batalha do Rio de Janeiro.
Essas pretensões francesas dividem-se em quatro grandes momentos:
1. O Período Pré-Colonial e o Escambo de Pau-Brasil (Século XVI): Antes mesmo de Portugal colonizar efetivamente o território, corsários e navegadores franceses frequentavam assiduamente o litoral do Nordeste, resultando em Alianças Franco-Indígenas, com os franceses estabelecendo uma relação de grande proximidade com os povos indígenas (especialmente os Potiguaras no Rio Grande do Norte e Ceará, e os Tupinambás no Maranhão) baseada no escambo. Em troca de espelhos, machados e tecidos, os nativos ajudavam na extração e transporte do pau-brasil para os navios franceses.
Também houve ataques a Pernambuco: Em 1532, uma incursão francesa atacou feitorias em Pernambuco. Esse avanço forçou a Coroa portuguesa a acelerar a colonização oficial por meio do sistema de Capitanias Hereditárias para não perder as terras.
2. A França Equinocial no Maranhão (1612–1615): A relação mais profunda e duradoura ocorreu no início do século XVII com a tentativa francesa de estabelecer uma colônia permanente de povoamento no atual estado do Maranhão, batizada de França Equinocial.
Daí, veio a Fundação de São Luís, em 1612, quando uma expedição liderada por Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, desembarcou na ilha de Upaon-Açu. Lá, ergueram o Forte de São Luís — batizado em homenagem ao rei da França, Luís XIII — de onde se originou a capital do Maranhão, São Luís.
Convivência e Expulsão: Os franceses pretendiam explorar recursos como as denominadas drogas do sertão, tabaco e algodão. Contudo, em razão da União Ibérica (quando Portugal e Espanha estavam sob a mesma coroa), uma força militar luso-espanhola atacou os invasores, derrotando-os definitivamente na Batalha de Guaxenduba em 1615.
3. Ataques de Corsários no Açúcar Nordestino: Mesmo após a expulsão do Maranhão, os franceses continuaram presentes indiretamente por meio da pirataria legalizada (corsários). Navios franceses patrulhavam o Oceano Atlântico para interceptar e saquear os galeões carregados de açúcar que partiam dos ricos portos de Recife e de Salvador em direção à Europa.
4. A Influência Iluminista: Na virada do século XVIII para o XIX, a relação deixou de ser militar e passou a ser intelectual e política. As ideias libertárias da Revolução Francesa (1789), baseadas na igualdade e liberdade, cruzaram o Atlântico e incendiaram as mentes da elite intelectual e das classes populares do Nordeste.
Dessas ideias, nasceram Conjuração Baiana / Revolta dos Alfaiates (1798): Fortemente inspirada pela fase popular e jacobina da Revolução Francesa, propunha o fim da escravidão, a proclamação de uma República na Bahia e o livre comércio. Também inspirou a Revolução Pernambucana (1817), Movimento republicano que adotou ideais iluministas franceses combatendo o absolutismo monárquico português implantado no Brasil após a vinda da Família Real.
Relações atuais Brasil-França
Atualmente, as relações Brasil-França permitem convivência harmoniosa, inclusive com a presença de escolas denominadas Aliança Francesa em várias capitais brasileiras.

Emanuel Macron e Luiz Inácio Lula da Silva em frente à Torre EiffelFoto: Ricardo Stuckert / PR
Mas existem divergências entre Brasil e França, que giram em torno do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (assinado em janeiro de 2026 e em vigor provisório desde maio de 2026), e das rígidas exigências ambientais e regulatórias impostas pelo bloco europeu, lideradas politicamente pela França.
O cenário de conflito baseia-se em fatores econômicos, competitivos e ambientais, pois a França é historicamente o país que mais se opõe à abertura definitiva do mercado europeu aos produtos sul-americanos.
Embora o acordo provisório tenha eliminado tarifas de 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul — impulsionando as vendas brasileiras para a UE em mais de 30% — o governo francês mantém forte oposição à ratificação definitiva.
Mas isso é outro assunto, que podemos abordar em próximas edições de OXENTE!
(Pesquisa e texto produzidos por IA,
com revisão da Redação OXENTE!)